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terça-feira, 19 de julho de 2011

O Menino e o Vagalume - Parte 2

Levantou-se e voltou para casa, deixando as estrelas para trás. 
Não encontrou um castelo, nem reis e rainhas, nem mesmo uma enorme escadaria para a porta de entrada, mas entrou em uma pequena casinha, onde o esperavam seu pais e seus irmãos. 
O jantar estava servido à mesa, mas o menino não sentia fome. Perdera qualquer desejo naquela noite, e comia empurrando o alimento goela abaixo, quase literalmente. Seus pais estavam cansados, pois trabalharam o dia todo, e nem perceberam o olhar triste e sem brilho do menino. Ele soube disfarçar bem sob a noite que chegara. 
Conversaram então sobre os estudos e quão importante era que ele estudasse, para conseguir se tornar alguém importante. Falaram também das contas a pagar, das dificuldades e de tudo o que aqueles pais tão bondosos queriam dar de presente ao principezinho deles, mas que ele precisaria esperar um pouco de tempo até que as coisas melhorassem. Os pais não disseram, mas o menino sabia que eles não tinham dinheiro suficiente para lhe dar tudo o que queria, e se fez feliz e valorizado com o pouco que recebia, reconhecendo o esforço de seus pais. 
Naquela noite, o menino também aprendeu a renunciar seus desejos e vontades, afinal, ele tinha tudo o que precisava, inclusive o amor de sua família, e isso era o maior bem que alguém poderia ter.
Foram todos dormir, e as luzes se apagaram, mas o menino não conseguia e, deitado em sua cama, se lembrou das estrelas. Ali, escondido no escuro que até então era insignificante e despercebido, mas que agora o menino temia, ele enfim chorou. Silenciosamente chorou. 
Dias se passaram, e o menino estava muito ocupado tentando ser alguém importante, mas ele não sabia o que era ser isso. As pessoas o diziam o que ele deveria fazer e o que não poderia. Diziam ao menino sobre o que ele deveria gostar e odiar. Ele teve amigos, ou pensava que tinha, mas vivia superficialmente, pois assim achava que deveria ser, seguindo às pessoas com quem se socializava. Deveria ser simpático, sorrir para todos, não chorar na frente de alguém e não expor seus pensamentos e sentimentos se estes contradissessem o que se esperava dele. 
Entre todos que conhecia, haviam algumas pessoas mais especiais, com quem mais gostava de estar, pois o menino sentia que realmente gostavam dele, e por mais que tentassem uma aproximação mais profunda e íntima, o menino não permitia, pois não sabia ser sincero e tinha medo de tentar. 
Aos poucos, as pessoas se afastavam e outras apareciam... e aquelas especiais um dia partiram. Novas pessoas especiais o menino encontrava, mas ele sabia que elas partiriam algum dia, e o pobre menino se sentia sozinho, mas era assim que deveria ser, conforme ele pensava, e nada poderia preencher aquele vazio que sentia. Mas o menino ainda tinha esperanças. Talvez as estrelas, algum dia, voltassem a lhe pertencer...

2 comentários:

Marcos Cardinalli disse...

SPOILERS...
Prometo que a história vai ficar menos triste e melancolica.. hehe... mas o menino ainda vai se decepcionar mto com o que vai encontrar em seu caminho, mas vai descobrir mtas coisas maravilhosas...
aguardem a continuação

Marcos Cardinalli disse...

ah.. o vagalume ainda vai aparecerrr... em breve

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