Depois de caminhar perdido num bosque de sombras e neblinas, cheguei a um lugar sem árvores, sem pássaros, sem vida. Não havia nem mesmo o mistério, ou pelo menos não o encontrei, talvez devido a este sentimento, mais próximo da angustia, que me tomou. Ao horizonte vejo a minha alma, refletida neste céu cinzento de inverno, nesta noite que chega sem estrelas... Assim são meus olhos, que perderam o brilho e até mesmo as lágrimas, que só permito que rolem quando já não é possível mais controla-las.
Neste lugar só há pedras, frias e duras, e um precipício adiante, que se perde na escuridão.
Minha vida ficou por um fio. Lançar-me no precipício parece uma boa solução, mas ainda o meu desespero não está completo. Algo me faz vacilar.
Sento-me agora, com medo de que algum tropeço me faça cair no abismo contra a minha vontade. Se vou me perder, terá que ser por decisão minha.
Estou aí, sentado, contemplando o que não se vê. E minha mente funciona... meus pensamentos se contradizem, me perturbam e me salvam por alguns instantes. Será que existe alguma justificativa para a vida, ou pelo menos para este instante?
O medo me mostra que a esperança não está completamente morta, e o que me mantem vivo é a própria vontade de viver.
Mas de que adianta viver sem viver? Digo, continuar a caminhar sem nenhum sentimento, sem nenhuma emoção... caminhar como um zumbi, como uma pessoa que já morreu e se esqueceu de deitar?
Às vezes é assim que me sinto, é assim que ajo. Este é o impulso para se perder nesta escuridão à minha frente...
Mas além do medo, a dor em meu coração machucado, que às vezes sangra com os encontros e desencontros da vida, também fala comigo, me questiona.
Se não quero ser um morto que vive e que caminha sem rumo, sem brilho, sem gosto, por que permito ser assim? A resposta me aparece como frases perdidas de minha razão. É por pura defesa, por raiva destas feridas que a vida me causou. Mas se ainda dói, se ainda me machuco, se ainda sofro, se ainda amo, se ainda sinto, é por que na verdade ainda estou vivo. Estou vivendo, e se quero viver, devo aceitar as quedas, os tropeços, as dores, as lágrimas. A dor me mostra que eu vivo.
A esperança não morreu totalmente. E fico aguardando um desabrochar, um despertar de uma nova primavera, porém não sei quando ela vai chegar, e como vai ser nesta espera... se vou suportar esperar...
A felicidade se escondeu de mim... ela é como uma criança que brinca de se esconder...
E a procuro em cada dia, cada momento, uma forma de ser feliz. É o que preciso, é o que me dá essa vontade de continuar. O que é a felicidade senão as pequenas coisas que nos são dadas como uma dádiva que não merecemos? Um novo dia, um despertar, uma folha que cai para nos mostrar algum sinal, um pássaro que voa ao longe, quase invisível aos olhos, uma estrela que nasce no céu escuro... Em tudo isto está a felicidade, até mesmo na dor... é preciso encontrá-la, e encontrá-la de novo... uma busca sem fim...
É preciso ter forças para sustentar o meu riso, mesmo quando o choro é preciso. E que este riso seja sincero, como as próprias lágrimas que rasgam o coração. Os dois podem sobreviver juntos.
Preciso deixar as lágrimas rolarem e um sorriso sincero acontecer, para que esta gastrite que me ataca não só o estômago, mas minhas emoções e minhas razões deixe de existir, e eu seja mais livre.
Sim, escolho viver, pelo menos por mais um pouco de tempo, enquanto a dor e o medo durarem, enquanto um fio de esperança restar... Escolho viver por causa desta vontade louca de viver.
Mas por enquanto, estarei aqui, sentado à beira do abismo, meditando, chorando e sorrindo. Esperando estrelas aparecerem na noite escura da minha alma, indicando que a primavera se aproximará em breve.


2 comentários:
Explicando...
Não se trata aqui de um masoquismo, de uma busca pelo sofrimento, mas sim de um encontrar um lado positivo até mesmo nestas dores que são inevitáveis.
Não queria que doesse, mas já que dói, posso usar disso para ser feliz... Basta usar a criatividade
;)
Compreendo amor... dói em mim também...
mas eu também escolho viver...
esperança, fé e coragem para seguir adiante...
Bjos no seu coração.
Luah.
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