A loucura consumiu minha vontade.
Desapareceu a razão, a esperança e o desejo de caminhar.
Sem forças interiores eu paro, e não quero mais prosseguir. Para onde eu irei? Para onde olharei?
Nem mesmo a melancolia e a poesia podem mais dar sentido ao sofrimento, à ferida que dói por dentro, sem nenhum sentido, sem causa, sem efeito.
Não há ninguém que me veja, neste meio da calçada, neste vai-e-vem de vultos distorcidos que não olham ao lado, que não sorriem nem choram. Parado estou aqui, sozinho, com a multidão me rodeando sem me notar. E até que tudo vai sumindo aos poucos, só me resta o vazio, a escuridão e o sussurro silencioso de minhas lágrimas, de meus soluços. O único ruido é o meu choro enroscado na garganta, essa vontade de gritar.
Não vejo sentido, não vejo futuro, não vejo paixão. Eu que era tão apaixonado, e buscava a felicidade em cada gesto, em cada ato, em cada detalhe. E então me vi sozinho nesses detalhes insignificantes para o resto.
Me dói a dor de amar, de sentir, de cantar. Dói a distância e a saudade.
Há enormes distâncias e abismos entre eu e o que me faz mais alegre. Há limites e olhares obscuros. Florestas sombrias. Medo de perder quando eu mesmo sou o perdido.
Perdido tento caminhar, arrastando-me, como um corpo sem alma que vaga nos desertos das esquinas, dos becos, das areias nos olhos. E a noite que eu admirava, com as estrelas brilhando e o sorriso encantador, tornou-se nublada e sem gosto.
O cansaço tornou-se mais pesaroso, mais humilhante.
Eu que temia tornar-me louco, vivia da insanidade. Eram as ideias, os sonhos, as fantasias... Esse idealismo que esconde a crueldade que mora no mundo. A realidade é uma chaga no meu peito, nos meus olhos, na minha consciência.
Minha alma não suporta essa prisão que a cativa, mas de cativada, decidiu a amar. De que adianta amar e não poder ser livre? Pior seria possuir toda a liberdade e não poder amar.
Já não sinto frio nem incômodo, a não ser por ainda respirar esse ar poluído. Fumaça e tosse, apelos e misérias que me sufocam, que me agridem. Essas agressões diárias torturam-me os sentidos e os sentimentos.
Provavelmente eu seja tão covarde ao querer agarrar a mais fina esperança, ou então seja corajoso demais por me amarrar nesta esperança e não desistir de viver.
De qualquer forma, deixo aqui o meu adeus: ou para a vida ou para esse estado de angustia e agonia.
Eu viveria para sorrir com o sorriso da minha vida. Você me dá razões para continuar.
Que Deus me dê perseverança e ânimo para caminhar... mais uma vez.
E sempre termino num tom de otimismo. Até mesmo para a morte.


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