Hoje me permiti chorar.
Estava sozinho no ônibus, voltando para casa. Um pouco frustrado.
Foram poucas as lágrimas, mas mesmo assim permiti que rolassem. E me senti um pouco mais livre.
Fiquei pensando em minha vida e neste rumo incerto que é o futuro. Pensei em como preciso melhorar, crescer.
Essas poucas lágrimas eram amargas. Não pelo fato de chorar, mas pelas amarguras de meu coração.
Pensei em como sou uma pessoa amarga. Como cobro demais os outros, e na maioria das vezes sem usar palavras. Mas pior que isso, como cobro demais a mim mesmo!
Culpa desta dependência, deste me perder, sem me conhecer e sem saber para onde ir. Este medo que permanece e me assusta. Culpa desta ameaça constante contra a minha felicidade, desta imprevisibilidade.
E sorria ao mesmo tempo que chorava.
Sim. O sorriso e o choro podem conviver juntos. E devem coexistir. Deve haver equilíbrio.
Sorrindo, eu percebi que por mais que eu tenha defeitos, estou buscando um melhorar continuo, um reconhecer, um querer melhorar, ser livre. Enquanto tantas pessoas vivem na superficialidade. Esquecem de sorrir e se proíbem de chorar. Eu pude ser livre, pois me permiti isso. Deixei de ser amargurado, comparado a tantos que não vivem, apesar de respirar.
Pessoas. Vejo pessoas a cada instante. Passando apressadas, de um lado a outro. Me da imensa vontade de pará-las e perguntar se vivem, ou se são apenas robôs submissos a uma cultura de morte, a uma sociedade que tudo se baseia no que se vê na mídia.
Contem-me sua história!... me dá vontade de perguntar. As vejo e penso no que as fazem felizes, no que estão pensando, quais suas preocupações, seus planos. Será que estão apenas ali, respirando, e não pensam em nada? Será que também observam as árvores, os prédios, os carros, os postes, as flores como eu observo? Acho que não observam nada, pois eu também era assim, antes de aprender que a beleza está presente, mas não a reconhecemos. Vou quebrar paradigmas nestes dias... preciso fazer isso. Quero encontrar um mendigo e conversar com ele, perguntar suas preocupações, seus medos, suas dores... e ir mais além, contar as minhas para ele. Estou certo que devo encontrar nos mais pequenos mais nobreza que em muitos que vivem como robôs, perdidos em seus medos, em suas futilidades.
Quero abraçar uma árvore, e não me importar com o que vão pensar. Todos falam em preservar, em cuidar da natureza, mas num mundo distante, fora da realidade em que se vive.
Quero perdoar e ser perdoado, quero sorrir e chorar, dançar e olhar nos olhos.
Até me questionei o por que apenas tiramos fotos sorrindo... Por que não tiramos fotos chorando também, mesmo que de alegria? Chorar faz bem, liberta e causa alegria se sabemos aproveitar disso. E não é uma questão de buscar o sofrimento, mas de orientá-lo para o nosso bem, para o Amor. O sofrimento é inevitável e precisamos aprender a viver com ele, a aproveitar dele. As lágrimas, às vezes, escorrem como suor de almas que estão cansadas, mas que lutam, que batalham e não querem desistir.
Tenho sim minhas preocupações, meus medos e temores, minhas angustias e (muitas) indecisões. Mas não posso parar de lutar por meus ideais. Não posso parar de lutar por minha vida. Não posso ser um zumbi.
Eu não quero deixar a minha vida ser levada. Quero vivê-la.
Minha vida não pode ser como uma peça de teatro, como alguns acreditam que deve ser. Eu quero vivê-la sinceramente e não apenas representá-la. Quero ser verdadeiro, e não usar máscaras para me esconder.
Acho que não sou daqui. Talvez eu seja de outro mundo.


Um comentário:
Te Amo!
Ontem, hoje e sempre!!
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