Havia um rapaz. E esse rapaz decidiu seguir por um caminho. Ele decidiu pelo caminho que conduzia à Felicidade. Foi uma decisão difícil, pois dizem que este é o caminho mais difícil e estreito que existe. Ele teve medo do que poderia encontrar neste caminho, do que poderia lhe acontecer, ou de se perder para sempre. Mas enfim ele decidiu a se arriscar e se aventurar. Depois da decisão, ficou até muito animado e ansioso para chegar enfim àquele lugar desconhecido e desvendar os seus mistérios. Arrumou então uma trouxa que levaria consigo. Quer dizer, uma grande trouxa, pois o rapaz possuía muitas coisas que achou necessário levar como precaução, além de alimentos para que pudesse suportar a árdua caminhada e assim sobrevivesse. E assim começou sua peregrinação.
Já no início, olhou para o horizonte e imaginou o tanto que teria que caminhar, pois não podia nem ver Felicidade ao horizonte. Preocupado com a demora, pensou consigo em aproveitar toda aquela energia e disposição inicial para correr o mais que pudesse, sem se distrair com nada, mas apenas correr. Quando não aguentasse mais, descansaria e então caminharia mais lentamente, contente por ter conquistado uma grande parte do caminho.
Então ele correu. Correu sem olhar para os lados, como um cavalo de corrida no qual colocam um tapa-olho, aquela viseira que o impede de olhar senão para frente. O rapaz correu, durante horas, sentiu até doer o baço, no lado do corpo, até sentir falta de ar, e ainda assim tentou mais um pouco, até à exaustão.
Quando já não mais aguentava, parou, desabando-se ao chão. Bebeu e comeu daquilo que levava consigo e descansou sentado à beira do caminho. Olhava para o horizonte, não podendo ainda avistar a Felicidade, o que o começava a desanimá-lo. Parecia-lhe que apesar de tanto ter corrido, não havia dado nenhum passo, e pensando nisso, achou que estava perdendo muito tempo descansando e continuou a caminhar.
O rapaz caminhava agora de maneira bem lenta, quase arrastando-se, e já não aguentava mais carregar aquele fardo que levava nos ombros. Olhava somente para a frente, para o horizonte, forçando muitas vezes os olhos esperando avistar Felicidade, mas nunca a encontrava. Quanto mais caminhava, mas parecia-lhe estar distante da Felicidade. Mas ele queria alcançá-la de qualquer modo. Era o seu objetivo, sua meta.
Já não aguentava mais carregar o seu fardo, mas não podia desfazê-lo todo dele, pois eram coisas que lhe eram muito importantes, de um grande apego sentimental. Começou então a escolher coisas naquela trouxa que lhe era menos importantes, e conforme seguia, abandava pelo caminho. E o fardo parecia nunca se tornar mais leve.
O rapaz começou a descobrir por que diziam que era o caminho mais estreito e mais difícil de se fazer, pois chegara naquele momento a uma grande subida. Era uma colina imensa, ingrime, com uma trilha estreitíssima. Ao se deparar com aquele infortuno, o rapaz se desanimou e praguejou contra o bendito momento em que se decidiu a percorrer aquele caminho sem fim. Quis desistir, porém, uma vez decidido percorrer esse caminho, não podia voltar atrás, pois certamente morreria na volta. Pensou mais uma vez e, entre morrer voltando e morrer continuando, decidiu por continuar e enfrentar aquele obstáculo.
Começou então a escalar a trilha da colina e tomou a consciência de que não conseguiria com aquele fardo e, entre lágrimas, soltou a trouxa e deixou que ela caísse colina abaixo. Foi dolorida essa decisão. Tudo aquilo a que ele estava apegado, teve que desfazer-se, de um modo obrigatório, pois não poderia mais continuar se não o fizesse. O choro foi o que deu forças para que ele terminasse a escalada.
Enfim, chegou ao topo da colina, estando todo ralado, ferido, sujo. Deitou-se no chão e sentiu um alivio ao poder repousar. Olhou pela primeira vez o céu azul, e demorou-se um pouco ali, admirado com a beleza celeste. Mas foi logo interrompido pela sede.
Ainda trazia consigo um pouco de água e, ao tomar, percebeu que eram as últimas gotas do cantil, e também já não possuía mais alimentos. O rapaz sentiu um certo desespero, pois achava que provavelmente morreria de fome, sede e cansaço. Sentiu um grande vazio em seu coração. Estava perdendo as esperanças. Talvez Felicidade não existisse...


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