Hoje chorei.
Chorei bastante, e não tenho vergonha o suficiente para não contar isso. Uma das coisas que mais questiono é o por que o chorar tem esse rótulo de coisa feia, de fraqueza, de imperfeição.
Imperfeito eu assumo que sou, e sei que também tenho meus momentos de fraqueza. Mas quem é o oposto de mim?
Enfim, eu chorei. E foi bom.
Chorei por medo, por indecisão, por encarar a realidade, por ser fraco. Admito. Todos os dias eu tento ser ou parecer forte, paciente, equilibrado, decidido, confiante. Mas não é bem assim o meu interior, e são pouquíssimos os que conhecem esta confusão que sou, e ainda, ninguém conhece tudo aquilo que sou. Porém, antes de chegar a qualquer conclusão, é muito necessário conhecer-me pelo menos um pouco, e não apenas achar que sabe quem sou pela minha aparência. Não significa que vivo de máscaras. Não... e bem pelo contrário. Sou sincero.
Desde sempre em minha vida muito fui cobrado, causa de minha história, de meu contexto. Porém a maior cobrança que cai sobre mim é a minha própria, e sei que isso é ruim. Mas isto é, além de outras, uma artimanha que uso como forma de defesa. Preciso me sentir capaz, me sentir forte. Preciso ser capaz e ser forte.
Disse que sou sincero, e isso agora está me irritando, pois não estou gostando disso que estou escrevendo, porém, contraditório como sou, gosto da espontaneidade. Este parágrafo é totalmente dispensável do texto, mas essencial para entender as entrelinhas, e de entrelinhas o espírito é repleto.
Também tenho muito medo. Medo de não saber o que será de minha vida, medo de minhas indecisões e decisões, medo do futuro, medo de quem sou, medo das pessoas, medo do mundo. Tenho medo de me decepcionar mais uma de inúmeras vezes, de me sentir frustrado com uma expectativa não alcançada. Mais meu maior medo é de deixar de sonhar, de enlouquecer. Sinto doer o meu ser quando gritam comigo, quando me desprezam, quando me esquecem. Mas isto é tão normal. Sinto dor quando um grande amigo abandona, muda de um jeito que foge aos meus sentimentos, deixa de existir. Mas a maior dor é encarar a realidade do mundo e ter que fazer escolhas que ferem meus ideias, minhas vontades, meus desejos.
O mundo é injusto. Sempre tive que abraçar as oportunidades, por não ter tantas opções, e agora que pretendo dar um novo rumo, um novo sentido para minha existência me deparo com a mesma questão: não ter as opções que gostaria de ter. Aí tenho que sonhar, e acreditar, esperar que o mundo pode mudar, que existe um ótimo destino para mim. Muitos criticam os sonhos, mas prefiro sonhar conscientemente do que me conformar e me submeter ao mundo como ele está. Não suporto me conformar com o que não me faz bem.
Gosto de viver profundamente, e isso faz parte de minha personalidade, de minha individualidade. Seja o momento mais simples, as vivências mais cotidianas, as tento viver com todo o meu ser. Alguns chamam isso de drama, mas eu de vida. Entretanto, nunca é fácil... e percebo que as minhas atuais angustias e preocupações estão me distanciando disso. É o medo. E tudo isso não significa que eu não esteja bem, pois como disse, as coisas para mim são muito profundas.
Perdi a inspiração para continuar escrevendo essas coisas intraduzíveis de minha cabeça, e como fazer algo qualquer sem inspiração e vontade me desanima, termino com uma reticência...


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