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domingo, 19 de junho de 2011

um Grito não feito de sons

Estou aqui perdido nos meus pensamentos e, de tão perdido e confuso, não sei como começar a descrevê-los aqui.
Posso muito bem usar de palavras belíssimas para disfarçar a mesquinhez e inutilidade de meus sentimentos, porém, a mais elaborada frase não servirá para exprimir a intensidade com que os vivo.
Como poder descrever um grito enroscado na garganta? Ele não se emite pelas cordas vocais para sair vibrante pelas ondas sonoras num tom agudo, mas sim vibra aqui dentro, num órgão desconhecido pela razão. Ele não quer sair, pois o sentimento que tento descrever é este mesmo grito, e se solto, perderá o seu sentido. Se não quer sair, é porque eu mesmo não o quero solto por aí.
Esse grito não é para ser solto pelos ares.
Talvez esteja eu apegado a esse sentimento que não tem nenhum sentido, mas que da sentido a minha existência nesse momento. O que poderia eu sentir agora se não fosse isso? Talvez seria eu vazio, sem esse vazio que há em mim.
Sim. Esse sentimento parece um vazio em meu peito. Este vazio que tanto ocupa espaço e me deixa com um não-querer esvaziar-me. Sinto este não-querer, que quer tantas coisas mas nada consegue. Quero tantas cosias mas não sei o quê.
É um desejo de algo que não se conhece, ou que se esconde. Sabe quando você corre em direção a algo que nem sabe onde está? Fecho os olhos e corro não sei pra onde. Sinto o seu cheiro que mais parece um despertar da aurora.
Esse sentimento é uma confusão dos sentidos. Vejo o que desejo mas que não está a minha frente. E ouço a sua voz e sinto o seu cheiro. Tenho a impressão de que vai me tocar os ombros e suspirar em meus ouvidos. E é uma eterna impressão.
Este sentimento é como uma maresia que corroi a alma e destrói os sonhos. É um lutar contra as esperanças.
É um esperar ansiosamente por notícias. Sinto como uma angustia pela perda de algo que se sabe que nunca se perdeu. A falta de algo que me completa, mas que não está faltando, apenas ausente por um momento.
Adrenalina esta que faz o coração bater de forma diferente.
É como um parar diante do mar e deixar que as ondas encontrem os pés, e sentir suas carícias enquanto se contempla a imensidão.
O que é que estou sentindo???
É tudo isto... e não cheguei nem perto! É um longe além do horizonte, que é pra onde quero ir agora.
Talvez o silêncio melhor descreva meu sentimento, já que este sentimento nada diz.

2 comentários:

Marcos Cardinalli disse...

Eu ja fiz isso... parar na frente do mar e deixar as ondas me acertarem... e nada mais queria contemplar se não a imensidão do mar. Quanta angustia aquele momento... e é exatamente isso que eu queria fazer agora! E perder meu tempo num tempo sem fim...

Anônimo disse...

Que lindo!!
Também queria perder meu tempo num tempo sem fim...
Deixe que as ondas tomem conta desse sentimento... talvez elas o levem de si ou o traga de vez...
Te Amo Muito!!!
Luah.

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