Chegou um tempo em que o menino detestava ser criança. Lhe disseram que ser criança é apenas viver num mundo de fantasias, irreal. Era ser um idealizador, ou um romântico desprezado. Ele queria crescer, ser adulto.
Um dia, cansado de se conformar, o Menino se recusou a continuar vivendo somente com as esperanças que tinha, e resolver seguir um caminho. Não sabia para onde ir, mas deixaria que o seu coração o guiasse.
O Menino, da janela de seu quarto, voltou os olhos para o céu, olhando as estrelas que há muito não olhava, tentando encontrar nelas o guia que o conduziria em sua jornada, mas elas se dissiparam todas pelo ar... Ele já não era mais criança para que as estrelas lhe falassem.
Logo pela manhã, ao despertar da aurora, o menino despediu-se então de seus pais, dando um beijo terno neles, mas antes de partir, sua querida mãe lhe deu um presente e recomendações.
O presente consistia em uma flor, única no mundo, que lhe fora dado quando concebido, e que somente a ele poderia pertencer. Nesta rara flor, estava toda a sua força vital, e o menino deveria protegê-la, e não entrega-la a qualquer pessoa, pois se mãos erradas a possuíssem, poderia significar a morte para o menino.
Ele aceitou cuidar agora de sua flor, levando-a consigo para onde quer que fosse, pois não poderia mais se separar dela, uma vez que se tornaria seu responsável.
Saiu de sua casa e começou a seguir o seu próprio caminho.
O menino desejava encontrar aquele lugar distante, para onde as estrelas e a felicidade haviam fugido. Queria construir o seu próprio reino, e ainda acreditava que isso seria possível. Ele queria voltar a ser principezinho, porém tinha a consciência de que isso era apenas uma ilusão.
Não sabia o que encontraria em sua jornada, e nem estava tão preocupado com isso. Neste instante, desejava a liberdade e despreza o medo em seu interior.
Não chorou ao se despedir de sua família, mas depois de alguns passos, quando já estava sozinho, invisível a quaisquer olhos, o menino deixou que algumas poucas e amargas lágrimas escorressem por seu rosto até se perderem no pó da estrada. Olhou para trás, para tudo o que conhecia até então, e se despediu sustentando um sorriso de vitória, mais sincero que muitos outros sorrisos, e continuou a caminhar.

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