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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Flor do Mar

Exausto depois de um dia de trabalho.
O frio cortante endurecia os dedos de minhas mãos, e o vento e a friagem faziam doer meus ouvidos.
Pingavam gotículas do céu, azul escuro acinzentado, belo contraste com as luzes do centro da cidade agora acesas, num tom alaranjado.
A chuva embaçava meus óculos, mas ainda assim fui capaz de admirar a beleza daquela praça, daqueles ipês completamente floridos de amarelo. Os postes em seu estilo antigo, iluminando a calçada, combinavam com a arquitetura daqueles prédios de Campinas, ao redor da praça chuvosa.
Penso que mais ninguém notou aquela beleza, usando óculos ou não, pois todas passavam apressadas, correndo, fugindo do frio, da chuva e do cansaço. Elas nem sabem que com sua pressa até tornaram mais belo o lugar, pois contrastavam com aquelas árvores ali paradas, imóveis, floridas, deixando a chuva e o frio acertá-las.
Era um jardim secreto. De tão à mostra, ninguém o via.
Peguei uma pequena flor amarela e molhada, e a levei comigo. Queria entregá-la ao meu amor, mas não o encontrei, não sei onde poderia estar.
Deve saber voar, deve estar por aí, em algum lugar.
Enquanto caminhava, também aos passos rápidos, atrasado com o trânsito congestionado, desejoso por entrar logo no ônibus, lotado que estaria, e chegar logo em casa, mas sem deixar de admirar a beleza que rodeia, nem a tristeza que semeia dos olhos daqueles que hoje dormirão ali na praça, na chuva, no frio.
Pensei também na tristeza daqueles que perderão pessoas em acidentes pelas estradas, e rezei. Mediocremente, mas rezei.
A flor amarela levava comigo, segurando-a na mão, enquanto alguns notavam. Não sei o que pensavam, o que questionavam, e não me importa seus julgamentos.
Queria entregar para alguém que encontrasse, mas no meio de tanta multidão, não achei quem meu coração suspeitasse que merecesse. Trouxe-a comigo e aqui está, em minha casa, sobre minha mesa. Murcha, seguindo a sua lei.
Compartilho-a com você, se aceitá-la. Não a vê, mas pode imaginá-la. E aceitando-a, aceite também meu amor, meu carinho, minha amizade.
Foi para você que eu trouxe essa flor.

Um comentário:

Anônimo disse...

Que lindo amor!!!
Obrigada pelo comentário no meu post de ontem!!
Vc sempre vai ter a mim!!!
Te amo muito!!!
sua mana, Luah.

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